Watch Dogs (ANZ Special Edition)
Um ambicioso ‘thriller’ urbano que introduziu o hacking sistémico no género de mundo aberto, ao tratar a cidade moderna como uma arma programável. Privilegia uma atmosfera ‘tech-noir’ realista e uma componente furtiva tática em detrimento do caos acelerado dos seus rivais contemporâneos. Esta edição de lançamento local inclui algum DLC limitado.
Descrição
Watch Dogs acompanha a missão de vigilante de Aiden Pearce, um hacker ‘grey-hat’ em busca de vingança por uma tragédia familiar causada pelo seu próprio passado criminoso. A narrativa desenrola-se numa versão de um futuro próximo de Chicago, controlada na íntegra pelo ctOS, um sistema operativo centralizado que monitoriza cada cidadão e gere a infraestrutura da cidade. A atmosfera é sóbria e clínica, centrando-se nas implicações sombrias da vigilância em massa e na erosão da privacidade digital, uma década antes de estas se tornarem realidade. Cria uma sensação de poder constante e invisível, onde o protagonista opera nas sombras de uma cidade inteligente que está sempre a observar.
A jogabilidade gira em torno do Profiler, uma ferramenta que permite ao jogador analisar qualquer NPC para obter dados pessoais, contas bancárias ou antecedentes criminais. As mecânicas baseiam-se em hackear o ambiente em tempo real, como manipular semáforos para causar acidentes, sobrecarregar transformadores elétricos para criar explosivos improvisados ou elevar pontes levadiças para escapar à polícia. O jogo apresenta um sistema de tiro baseado em cobertura com uma mecânica de câmara lenta “Focus” e um modelo de condução física desenvolvido em colaboração com a Ubisoft Reflections. Embora o mundo suporte uma abordagem agressiva, o motor foi concebido para premiar uma estratégia furtiva, utilizando câmaras de vigilância para explorar e neutralizar ameaças à distância.
A receção crítica e pública de Watch Dogs foi notavelmente polarizada, marcada por uma das mais significativas controvérsias de ‘downgrade’ visual na indústria. Após uma revelação impressionante na E3 2012 que prometia uma fidelidade de nova geração, o lançamento final em 2014 foi criticado pela iluminação mais plana e pela redução de efeitos de partículas, especialmente durante o dia. O próprio Aiden Pearce recebeu uma resposta mista, com muitos jogadores a considerarem o seu arquétipo rude pouco carismático ou rígido em comparação com outros protagonistas de mundo aberto. Apesar disto, o jogo foi elogiado pela novidade do ciclo de hacking e pela densidade atmosférica de Chicago durante as sequências de chuva e noite. Os críticos elogiaram o sistema Profiler por fazer com que uma cidade genérica parecesse habitada por pessoas reais com histórias únicas (e frequentemente perturbadoras). Embora a condução tenha sido frequentemente considerada imprecisa ou desligada da realidade, a profundidade tática do combate furtivo baseado em hacking foi reconhecida como uma inovação genuína para o género.
A série Watch Dogs sofreu uma mudança tonal e mecânica significativa. O lançamento original foi definido pelo seu tom sério e sombrio e pela personalidade estoica de Aiden. A sequela, Watch Dogs 2, mudou para uma estética vibrante e descontraída em São Francisco, introduzindo gadgets de hacking mais lúdicos, como drones e carrinhos telecomandados, centrando-se num grupo de jovens ativistas. Watch Dogs: Legion experimentou ainda mais ao remover um protagonista fixo, permitindo aos jogadores recrutar e jogar com qualquer NPC numa Londres futurista. Embora os títulos posteriores tenham expandido o hacking como um conceito de ‘playground’, apenas este primeiro título mergulhou totalmente na escuridão do estado de vigilância e na tensão voyeurística de um vigilante solitário. Em retrospetiva, muitos críticos passaram a apreciar a profundidade tonal que este título possuía em relação aos seus sucessores. Apesar das falhas, vendeu mais de 10 milhões de cópias e estabeleceu as bases para a série.
Ficha técnica
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